A artrose do joelho é uma doença crónica e progressiva que afeta uma das articulações mais
importantes do corpo humano. O joelho suporta grande parte do peso corporal e é essencial
para a mobilidade e autonomia. O tratamento moderno da artrose do joelho baseia-se numa
abordagem progressiva, procurando sempre preservar a articulação e adiar ou evitar a
cirurgia sempre que possível.
O que é a artrose do joelho
A artrose do joelho resulta do desgaste progressivo da cartilagem articular. A cartilagem
permite o deslizamento suave entre os ossos e funciona como amortecedor. Quando se
degrada, surge inflamação, dor e limitação do movimento.
Para além da cartilagem, a artrose envolve alterações do osso subcondral, da membrana
sinovial, dos ligamentos e da musculatura envolvente. Pode surgir com a idade, mas
também após traumatismos, cirurgias prévias, excesso de peso, alterações do alinhamento
ou esforço repetitivo.
Sintomas
A dor é o sintoma mais frequente e surge inicialmente com o esforço, como caminhar ou
subir escadas. Com a progressão da doença, a dor pode tornar-se constante, mesmo em
repouso.
São também frequentes a rigidez, o inchaço, os estalidos, a limitação do movimento, a perda
de força e a instabilidade ao andar. Em fases avançadas, o joelho pode deformar-se e
comprometer a autonomia.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se na história clínica, no exame físico e em exames de imagem. A
radiografia permite avaliar o grau de artrose. A ressonância magnética é útil para estudar
cartilagem, meniscos e osso subcondral, sobretudo em fases iniciais.
Tratamento conservador
O tratamento conservador é sempre a primeira linha de abordagem. Inclui educação do
doente, controlo do peso, exercício físico adequado e fisioterapia.
O fortalecimento muscular, sobretudo da coxa, reduz a sobrecarga articular. A medicação
pode aliviar a dor, mas não altera a evolução da doença.
Tratamento com ortobiológicos
Os tratamentos ortobiológicos assumem um papel central na abordagem atual da artrose do
joelho, com o objetivo de reduzir sintomas, melhorar a função e atrasar ou evitar a cirurgia. O plasma rico em plaquetas (PRP) é obtido a partir do sangue do próprio doente, após centrifugação. Contém fatores de crescimento que ajudam a modular a inflamação e a melhorar o ambiente da articulação. O aspirado de medula óssea é colhido geralmente do osso da bacia e contém células com potencial regenerativo. As células estaminais do aspirado de gordura abdominal são obtidas através de um procedimento simples, permitindo a sua aplicação de forma segura. Estes tratamentos não regeneram totalmente a cartilagem, mas podem proporcionar alívio significativo da dor e retardar a progressão da artrose.
Tratamento com técnicas mini-invasivas
As técnicas mini-invasivas são procedimentos realizados com mínima agressão dos tecidos,
permitindo recuperação rápida e menor risco.
Incluem infiltrações intra-articulares com ácido hialurónico ou ortobiológicos, bem como
técnicas mais específicas como a injeção de PRP intra-ósseo, dirigida ao osso subcondral, e a
injeção de PRP intra-meniscal, indicada em casos selecionados.
Estas técnicas permitem tratar não apenas a articulação, mas também estruturas profundas
envolvidas na dor.
Tratamento cirúrgico e opções cirúrgicas
O tratamento cirúrgico é reservado para situações em que os tratamentos conservadores,
ortobiológicos e mini-invasivos já não conseguem controlar os sintomas.
As primeiras opções cirúrgicas são, sempre que possível, as técnicas mini-invasivas
cirúrgicas. A artroscopia do joelho é utilizada em situações específicas, permitindo tratar
lesões associadas, remover fragmentos soltos e melhorar o ambiente articular com incisões
pequenas e recuperação mais rápida.
Em alguns doentes, podem ser indicadas cirurgias corretivas, como procedimentos para
melhorar o alinhamento do joelho, redistribuindo as cargas e atrasando a necessidade de
prótese.
Nos casos de artrose avançada, com dor persistente e limitação funcional grave, pode ser
necessária a substituição parcial ou total do joelho por uma prótese. Esta opção é
considerada apenas quando todas as alternativas anteriores já foram esgotadas.
Fisioterapia associada a ortobiológicos e pós-cirurgia
A fisioterapia é fundamental em todas as fases do tratamento. Após ortobiológicos, ajuda a
potenciar os resultados e a melhorar a função. No pós-operatório, é essencial para
recuperar mobilidade, força e confiança no movimento.
Prevenção com reabilitação e bons hábitos de vida
A prevenção passa por manter peso adequado, praticar exercício regular, fortalecer os
músculos e evitar sobrecargas repetidas. A reabilitação precoce tem um papel importante
na evolução da doença.
Prevenção com ortobiológicos
Em fases iniciais ou em doentes de risco, os ortobiológicos podem ser utilizados de forma
preventiva, ajudando a preservar a articulação e a adiar intervenções cirúrgicas.
Perspetivas futuras
O futuro do tratamento da artrose do joelho passa pelo desenvolvimento de terapias
regenerativas, como novas aplicações de células estaminais, exossomas e técnicas
combinadas, que poderão reforçar ainda mais a preservação articular.